terça-feira, 29 de setembro de 2015

Beleza de verdade é outra história


Você poderia descrever uma modelo de moda para mim?  Eu tenho certeza que a resposta seria mais ou menos essa. (Mas não precisava ser)



A moda é um fenômeno social e ao contrário da música, do cinema e da arte, ela tem um impacto diário nas nossas vidas, isso porque nós acordamos e nos vestimos todos os dias com ela. E se não bastasse as revistas de moda, as propagandas, a vizinha maravilhosa e as novelas e filmes, agora temos também as redes sociais para nos dizerem o que é bonito e o que com certeza (ironia implicada) não é. Padrões de belezas sempre existiram, mas talvez nunca essas palavras atingiram uma conotação tão negativa como atualmente. Não que as modelos que desfilam as passarelas não sejam maravilhosas, o problema é pensar que somente este padrão, estes corpos, estas peles, traços e cabelos sejam os certos. 

Os padrões de belezas mudaram muito ao longo dos anos, e a moda e a beleza acompanham essas transformações.  No renascimento o bonito era ser mais volumosa, as curvas eram um sinal de riqueza. No século 16 a moda era construida em cima dos artifícios. Para alcançar a cintura fina a todo custo o uso de espartilho apertados dificultando até mesmo a respiração, era obrigatório. Já no romantismo a mulheres passavam quilos de pó de arroz para ficarem o mais brancas possíveis,até mesmo aparentar doentes, já que a fragilidade era considerada bonita.





















A partir do século vinte as linhas ficam mais retas, tanto nas roupas quanto nos corpos. Os seios e o quadril diminuem e a magreza ganha força. A professora do Departamento de Design da PUC-Rio Silvia Helena conta que a mulher acaba "engolindo o espartilho",  não é mais necessário usar o acessório, a magreza já esta incorporada na mentalidade feminina.



De acordo com a professora a magreza explodiu na década de 60 com a cultura jovem. É a partir desse momento que a busca desenfreada pela silhueta fina e longínqua e a juventude eterna se intensifica. É o inicio das dietas milagrosas, e cirurgias plásticas de todos os tipos.

Segundo Silvia Helena o jovem passa a ser um produto a ser consumido. " O mercado absorve muito rapidamente a juventude, o jovem vira fatia do mercado e as pessoas passam a consumir o jovem na moda, na beleza, música, arte, cinema e na literatura".

A modelo mais bem sucedida dos anos 60, a inglesa Twiggi, personificou o que significava ser bonita nessa época, e pela primeira vez uma mulher tão magra subiu nas passarelas dos desfiles de moda.



Nos anos 80, esse padrão desacelerou, era a época das Supermodelos, como Cindy Crawford. Um corpo mais musculoso e esportivo estampava as capas das revistas de moda. Mas foi só os anos 90 chegarem que a moda grunge trouxe de novo as modelos esqueléticas como a icônica Kate Moss.



Hoje em dia a realidade da magreza continua, principalmente nas passarelas, as modelos ainda apresentam um corpo fino e sem curvas. Algumas marcas tentam inovar, ou apenas brincar de politicamente corretas botando em suas passarelas mulheres que fogem desse padrão de beleza. A França até proibiu agências de trabalhar com meninas abaixo de um peso do saudável. Mas a regra continua a mesma, alta, magras, e na maioria das vezes, brancas e loiras.


Este padrão afeta a vida de milhares de meninas, que simplesmente não se encaixam. O ideal está tão consolidado nas cabeças das meninas, que vemos ataques verbais nas escolas e redes sociais diariamente chamando meninos e meninas, completamente saudáveis, de gordos e baleias.

Não é possível que não conseguimos enxergar que esse padrão não passa de um produto, e que a beleza está muito mais ligada a confiança, a personalidade do que ao número do manequim.

A professora Silvia Helena se diz pessimista quanto a melhoras na indústria. Ela conta que embora já esteja acostumada a encontrar modelos magras por aí, ultimamente ela tem se chocado com as figuras cada vez mais finas. Para a professora e para mim também, o melhor jeito de reverter essa situação não é esperar a atitude das grifes e dos meios de comunicações. As expressões individuais, cada mulher se sentir linda por dentro e por fora, e mostrar isso para o mundo é o que de fato pode influenciar uma nova geração a se preocupar mais com a saúde e menos com o espelho. 

Bonito mesmo é ser você.


5 comentários: